Resumo
Objetivo: Este artigo visa sistematizar os conceitos centrais dos Estudos de Futuro aplicados à pesquisa em moda, abordando a persistente confusão entre tendência, previsão, prospectiva e visão de futuro. Ele apresenta uma posição teórica clara de que tendência não é um método, propondo um léxico padronizado e uma estrutura operacional para apoiar a tomada de decisões orientada para transições sustentáveis.
Método: Foi realizada uma revisão teórica integrativa centrada em conceitos, combinando síntese narrativa com análise comparativa. A literatura seminal e contemporânea em Estudos de Futuro, futuros do design e estudos de moda foi analisada usando busca iterativa e encadeamento de citações. Os principais conceitos foram extraídos, comparados e organizados de acordo com foco, horizonte temporal, métodos e funções práticas, resultando em uma tabela comparativa e uma estrutura integrativa.
Resultados: O estudo esclarece a tendência como uma categoria analítica que representa padrões observáveis de mudança, distinta das famílias metodológicas de antecipação. A previsão é caracterizada como uma prática preditiva de curto prazo que apoia decisões táticas, enquanto a prospectiva e a visão de futuro são posicionadas como processos de médio e longo prazo orientados para o alinhamento estratégico, o desenvolvimento de capacidades e a transformação intencional. Um léxico operacional e uma estrutura baseada em horizontes temporais são propostos para aprimorar o rigor conceitual, a governança e as métricas de aprendizado em trabalhos de futuros relacionados à moda.
Conclusão: Ao desvendar a terminologia e alinhar os métodos de futuros com horizontes de decisão apropriados, o artigo contribui com uma base conceitual transferível para a pesquisa e a prática da moda. O léxico e a estrutura propostos apoiam práticas de futuros mais responsáveis, estratégicas e sustentáveis, podendo ser aplicados além da moda, a outros setores criativos e de manufatura.
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